terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Brasília Capital do Rock – A construção de uma política cultural



Brasília de Juscelino foi concebida e construída na década de consolidação do rock ‘n roll no mundo. Nesse contexto do pós Guerra e inicio da divisão mundial em dois grandes blocos, precisou-se de um jeito de transpor essa pesada realidade para a música. Do lado de cá, mal nasceu e a nova Capital do Brasil foi tomada pelo regime militar. A mesma tensão e medo que assolava o mundo se replicou pelas entrequadras e vias da cidade.
A primeira geração de brasilienses, juntamente com jovens migrados, teve a sua adolescência nos anos 70 marcada pelo auge da repressão na ditadura. Nessa cidade sede do poder nacional, fugia-se para a liberdade gritada do movimento punk, um sonho de autonomia e luta política. O discurso musicado da Utopia.
Esse caldeirão de força jovem reprimida, juntamente com uma cidade que ainda estava no berço e não oferecia outras formas de escape, favoreceu o surgimento e posterior consolidação nos anos 80 de diversas expressões culturais que viriam justificar o novo lugar de Brasília no olhar nacional. Não mais apenas a capital política, e sim, a Capital do Rock.
Durante os anos 80 e 90, o Rock de Brasília ocupou parte significativa da mídia nacional com a sua qualidade musical, presença de palco e, acima de tudo, letras que traduziam os conflitos vividos pelo país e sua juventude. Essa projeção se deu em função da garra e determinação das bandas e também por um modelo ainda estável de gravadoras que abarcavam esses artistas.
Infelizmente, até o presente momento não houve um reconhecimento dos governos distritais do patrimônio socio-econômico-cultural que representava esse lugar conquistado no mercado musical do país. Mais do que a projeção de um determinado grupo, Brasília havia alcunhado um reconhecimento enquanto fonte rica de todo um gênero musical, com suas variações e influências. Gênero este, inclusive, que viria a se tornar responsável por grande parte da indústria fonográfica pós 80.
A falta de investimento local no produto cultural e em sua cadeia produtiva fez e faz com que estes grupos, ainda que reconhecidamente oriundos de Brasília, saiam da Capital para terem condições de crescimento. Assim, os Brasilienses passam a consumir seus próprios artistas como uma produção de outros estados. Ou seja, a arte da cidade acaba por fometar o mercado cultural de outras localidades.
É importante ressaltar que o mercado musical vai muito além dos integrantes de uma banda ou artista solo. Estende-se por uma vasta gama de profissionais, tais como produtores, agenciadores, estúdios, fábricas de CD/DVD, empresas de editoração eletrônicas, técnicos de som, montadores, roadies, diretores de palco, empresas de eventos, assessoria de imprensa especializada dentre outros.
Esse leque de profissionais tem se tornado cada vez maior e mais variado, principalmente com a nova ordem mercadológica que tem se instaurado no Brasil e no mundo pós anos 90. Como o avanço das tecnologias de produção, bem como de acesso ao público, as grandes gravadoras perdem gradativamente o seu lugar para a produção independente. Ser músico/produtor independente não está relacionado à qualidade ou gênero musical, mas sim a uma contingência de execução.
Tendo isso em vista, vários Governos Estaduais se deram conta de que grande parte da produção do mercado musical tinha saído da mão dessas gravadoras e passado para a responsabilidade dos agentes culturais. E, ainda, que seria possível atuar como instância impulsionadora da indústria fonográfica de seu estado, bem como seus produtos correlatos (shows, festivais, turnês, etc.). Assim foi com o Axé na Bahia, o Samba no Rio de Janeiro e Frevo em Pernambuco.
Esses Estados, além de beneficiar diretamente vários setores de produção cultural e industrial, firmaram suas capitais como rotas de turismo também em função de sua música. Conseguiram, outrossim, políticas que favorecessem a exportação seus grupos como produto artístico para todo o território nacional.
Assim sendo, impende ao Distrito Federal com seus agentes públicos e privados, lançar mão de sua marca já estabelecida de Capital de Rock e traçar políticas e ações que serão capazes de trazer incontáveis benefícios diretos e indiretos. Benefícios tais como a consolidação da identidade cultural, geração de empregos, aumento do turismo, atração de empresas e indústrias, mobilização e ocupação da juventude, etc.
Para tanto é preciso investir na criação de meios para divulgação de seus artistas, incentivo aos novos talentos, espaços para circulação interna e redes facilitadoras de circulação nacional. Os principais eixos de atuação seriam: (i) Programas de capacitação para toda a cadeia produtiva do Rock; (ii) Formação de público e acessibilidade do consumo; (iii) Fomento ao turismo musical voltado
para eventos e festivais; e (iv) Exportação dos produtos culturais para consumo em todo o território nacional.
Atualmente, além dos grupos já consagrados, há no Distrito Federal diversos nomes novos e crescentes no cenário musical brasileiro, com grandes potencialidades artísticas e produtivas. Com apoio institucionalizado, juntos podem difundir ainda mais o legado da Capital, despertando interesse para as suas cidades e expandindo o alcance da produção distrital no país.
Destarte, é possível a construção de uma política sustentável de utilização da marca Brasília Capital do Rock, para benefício de toda a população do Distrito Federal. Política esta que permitirá a longo prazo que os agentes culturais se fortaleçam também como agentes econômicos, necessitando cada vez menos fomento direto do Governo Distrital e cada vez mais de uma articulação politizada de redes de cooperação.
Contando com a sensibilidade de um governo que enxerga na cultura uma ferramenta de afirmação da identidade de nossa cidade. E tem no Rock uma das suas principais manifestações culturais. Nós, músicos, produtores, jornalistas, agitadores culturais e profissionais independentes, ligados a toda a cadeia produtiva que movimenta o Rock de Brasília, propomos a criação de uma política real, que, baseada em uma parceria entre governo e sociedade civil, gere uma série de benefício sociais, culturais e econômicos. E coloque, novamente, nossa cidade em um lugar de destaque da musica de nosso país.
Eixos de Trabalho
Como citado no texto de abertura, dividimos nossas propostas de programas em quatro eixos de trabalho. Esses eixos representam o que consideramos essencial para o desenvolvimento de uma política que valorize o Rock n’Roll como uma riqueza cultural da nossa cidade e fortaleça toda a cadeia produtiva que o cerca.
Para o desenvolvimento de cada um desses eixos, sugerimos projetos que poderão ser desenvolvidos pelos agentes culturais que compõe nosso movimento, pelo poder público, ou por uma parceria de ambos. Apesar de subdivididos esses eixos acabam se complementando. Ou seja, cada um deles potencializada o outro.
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1. Capacitação
Eixo fundamental para geração de emprego e renda, e fomento de produtos culturais de qualidade.
Pretendemos criar projetos para capacitar jovens para atuarem na cadeia produtiva do rock, bandas para produzirem produtos artísticos capazes de serem consumidos internamente e exportados para fora da cidade.
Nesse sentido, propomos inicialmente três projetos tendo em vista as necessidades identificadas e o público alvo.
  • Curso técnico: Criação de curso semestral para capacitar profissionalmente jovens que pretendam atuar na cadeia produtiva do rock e da música em geral. Formação de produtores de evento, produtores musicais, assessores de imprensa, técnicos de áudio, roadies, diretores de palco, iluminadores e engenheiros de gravação estariam previstos dentro deste curso.
  • Estúdio Escola: Criação de estúdios em cidades satélites que possam atender o maior numero de artistas criando à custos acessíveis. O objetivo é permitir que bandas iniciantes ou não possam desenvolver seu trabalho. Alem disso, o estúdio serviria como uma laboratório de treinamento para jovens que queiram trabalhar como roadies, técnicos de áudio, produtores musicais e engenheiros de gravação.
  • Incubadora de Bandas: Tendo em vista a nova realidade do mercado musical que exige o protagonismo do artista em várias frentes além da artística, entendemos que um programa de incubadora de bandas é necessário. O objetivo é capacitar os artistas para gerirem e divulgarem seus próprios projetos.
    Resultados e Contrapartidas
  • Espaço para oficinas em capacitação em todos os festivais realizados por agentes culturais que fazem parte do Movimento Brasília Capital do Rock.
  • Contratação e estágio nos eventos e projetos realizados pelo Movimento para os melhores alunos dos projetos de capacitação.
  • Geração de emprego e renda.
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2. Formação de Público
Apesar de possuir diversos músicos com trabalhos de alta qualidade, o morador de Brasília tem pouco acesso ao que é produzido pela cidade. O que vem de fora é mais valorizado e mais divulgado. Por isso é necessário criarmos ferramentas para que a difusão das obras de artistas da cidade e eventos produzidos aqui sejam reconhecidos e valorizados. Com isso estaríamos fortalecendo o mercado cultural da cidade e criando demanda para os produtos produzidos por artistas nativos.
  • Escola Rock Show: apresentações musicais em escolas publicas e particulares de ensino médio, acompanhadas de palestras sobre a história do rock de Brasília e a sua importância cultural para a cidade e o país. Esperamos, com isso, apresentar à juventude da cidade um produto legítimo de nossa cultura.
  • Festival Universitário de Rock e Musica Alternativa: nos moldes dos grandes festivais de musica, pretendemos estimular a produção musical de novos artistas, dando visibilidade e valorizando seus trabalhos. O objetivo é transformar esse festival em um evento que faça parte do calendário da cidade, e em uma vitrine para a revelação de novos artistas.
  • Rock Sem Fronteiras: Evento mensal que reunirá bandas da cidades satélites, Entorno, Plano Piloto e de outros estados. Promovendo intercâmbio entre os artistas e a mistura de públicos, já que é disponibilizado transporte gratuito para jovens das cidades satélites participarem do evento.
  • Revista + CD: Publicação mensal para divulgar artistas, produtos culturais e eventos realizados na cidade. As revistas serão distribuídas em festivais, shows e ações culturais promovidas pelo Movimento Brasília Capital do Rock. Nelas, serão encartados CD’s com musicas de bandas da cidade.
  • Portal: meio interativo que será utilizado para promover e divulgar a cena musical local nas mídias sociais.
  • Radio Cultura: mais espaço para a divulgação do rock e da musica alternativa produzida por artistas da cidade. Hoje, temos apenas um programa que faz isso, de fato, o Cult 22.
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Resultados e Contrapartidas
  • Divulgação e valorização da Radio Cultura
  • Divulgação do eventos culturais
  • Fomento de novos artistas
    3. Turismo
    Seguindo o exemplo de capitais como o Rio de Janeiro, Recife e Salvador, podemos transformar Brasília em um pólo turístico que vá alem do turismo cívico. Valorizando o rock podemos transformar a cidade em um ponto de turismo cultural. Essa pode ser uma das principais contrapartidas apelo investimento nesse segmento cultural, já que Brasília já é reconhecida em todo o pais como capital do rock nacional.
  • Criação e divulgação nacional de calendário de eventos e festivais. Já existe o compromisso dos principais festivais realizados na cidade se organizarem para isso.
  • Museu do Rock: espaço para visitação pública dedicado a contar a história do rock da cidade e a divulgar a musica do passado, presente e futuro produzida em Brasília.
  • Guia de eventos: publicação mensal divulgada e pontos chave da cidade, como hotéis e bares, com a programação mensal de eventos de rock e musica alternativa.
  • Mês do Rock: julho é o mês do rock. Aproveitando que a mídia nacional cria uma série de programas e ações especiais para celebrar a vertente musical, pretendemos criar, na capital do rock uma série de eventos que movimentem a cidade durante todo esses período. Em um mês em que de férias nas escolas e universidades de todo o pais, podemos transformar a cidade em um atrativo para os jovens brasileiros.
  • Fundo de apoio de eventos e festivais de rock e musica alternativa: esse fundo será gerido pela Secretaria de Cultura e será utilizado para apoiar eventos já tradicionais da cidade e estimular a realização de novos projetos que fortaleçam a cena musical da cidade.
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Resultados e Contrapartidas
  • Aumento do número de turistas na cidade
  • Geração de emprego e renda
  • Valorização do calendário cultural da cidade
  • Valorização do artista local
  • Valorização dos eventos locais
  • Divulgação de produtos culturais da cidade
  • Intercâmbio Cultural
4. Fomento e Exportação
Tendo em vista que as bandas mais importantes da história do rock no Brasil foram oriundas de Brasília, e reconhecendo que a atual geração de artistas formados na cidade possui potencial para atingir o mesmo sucesso, precisamos criar ferramentas para exportarmos o nosso produto musical.
  • Agência de fomento e exportação do rock e da musica independente do DF: ferramenta para promover a circulação de bandas e a divulgação da musica produzida em Brasília por todo o país.
  • Ação de apoio à circulação de bandas: programa que fornece passagem e ajuda de custo para viagens de bandas que divulguem o trabalho realizado em Brasília pelo país. Além do fomento por parte da Secretaria de Cultural com outros governos para o intercâmbio de bandas entre as cidades.
  • Catálogo de Bandas: publicação anual para divulgar as bandas de Brasília.
  • Apoio a produção fonográfica: criação de fábrica ou projeto de apoio a prensagem de CD’s e DVD’s, e a divulgação eletrônica das musicas produzidas por artistas locais.
  • Fomento de intercâmbio com rádios públicas de outros estados, parcerias com rádios AM, FM e comunitárias de todo o país.
    Resultados e Contrapartidas
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  • Geração de emprego e renda
  • Divulgação da Secretaria de Cultura do DF em todo o país
  • Intercâmbio Cultural
  • Exportação do produto cultural produzido na cidade
    Além dos eixos explicitados, é consenso de todos os atores que participam do Movimento Brasília Capital do Rock, a importância de apoiarmos ações que preservem e divulguem a memória musical do rock produzido no DF. Publicações, filmes e outros produtos culturais que cultivem a riqueza cultural do rock da cidade devem ser apoiados.